sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Valores do Candomblé para Democratizar a Sociedade

Jovens dos terreiros Vintém de Prata, Junçara Kondirê; Manso Dandalungua; Opô Aja Omin; Oya Alafumbi se reuniram aos 28 de setembro. Dentre os temas conversou-se sobre como os valores do Candomblé contribuem para a democratização e o aprofundamento da justiça na sociedade brasileira. Verificou-se que a contribuição do Candombé se afirma na promoção de uma relação equilibrada com o meio ambiente; no reconheciemento dos saberes dos mais velhos - e dos ancestrais; na construção de relações de gênero inclusivas. Tais valores rompem com a lógica dominante de exploração e destruição do meio ambiente; de desprezo aos idosos e de homofobia e outras formas de intolerância. Naquela ocasião os jovens ficaram de perguntar aos seus mais velhos, em suas Casas, sobre como esses e outros valores do Candomblé são vividos e como eles podem colaborar para uma agenda de promoção de direitos na sociedade baiana. E aí, galera, vamos conversar com os nossos mais velhos?

domingo, 24 de maio de 2009

Desmitificando a data da suposta libertação.



Estamos no mês em que se completa 121 anos do momento histórico que acabou juridicamente com a idéia de que a servidão do negro pela coroa de Portugal. Princesa Isabel assina um documento, que em tese, libertava àqueles dos quais descendemos quase três séculos de servidão escrava. Será que aquela assinatura resolveu a situação da população advinda de África e que até seus descendentes vivem neste país? Qual foi a verdadeira razão que motivou a princesa subscrever a Lei?

A assinatura da lei Áurea no dia 13 de maio de 1888 serviu para libertar cerca de 750 mil escravos que ainda existiam no Brasil e proibia a escravidão. Foi um dos fatos de maior alcance e visibilidade no país, no que se refere ao tema das disputas pela memória e de seus significados políticos, depois disso só o movimento das Diretas Já que culminou no fim da ditadura militar, pode ser tão igual comparado.

Essa data e o 20 de novembro colocam a população a refletir sobre a situação do povo preto no país. Rediscutir o passado nunca foi, nem nunca será uma tarefa fácil. Principalmente o passado de uma parcela da população brasileira que teve documentos queimados (nomes, origens, legados foram obliterados) e as suas as revoltas escravas eram marginalizadas.

É a partir de meados do século 18 que um discurso abolicionista vai emergir no pensamento ocidental, questionando progressivamente a legitimidade da escravidão unindo-se ao parlamento. No Brasil, vai estar presente, desde finais deste século, no questionamento da continuidade do tráfico de escravos e na crítica às distinções raciais entre a população livre, empolgando as camadas populares urbanas presentes nos setores mais radicais que se ligaram às lutas pela emancipação política e econômica.

Vale lembra que com o fim do tráfico da população negra de África, em 1850, elevou-se o preço do cativo, tornando seu acesso restrito às camadas superiores da agricultura de exportação, golpeando de morte esta cumplicidade do conjunto da população livre com o trabalho servil, construindo as bases para que o abolicionismo se tornasse um grande movimento popular. Desde então, a crescente pressão pela alforria, no seio da população escravizada, só fez aumentar a presença afrodescendente na população livre de uma maneira geral. Precedida por fugas em massa, a Lei de 13 de maio nada mais fez do que reconhecer formalmente a liberdade, já conquistada de fato nos meses precedentes, culminando o maior movimento de desobediência civil da história brasileira.

Mas como diz um provérbio africano: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.

Independentemente disso, não se pode deixar de reconhecer que a abolição não resolveu diversas questões essenciais acerca da inclusão da maior camada populacional na sociedade brasileira. Depois da lei Áurea, o Estado brasileiro tomou poucas medidas que favorecessem sua integração social, abandonando-os à própria sorte. De lá pra cá só consigo lembrar a criação da SEPPIR, Lei 10639/03 logo depois substituída pela lei 11645/08, que inclui a cultura indígena no currículo escolar e o estatuto da Igualdade Racial, sendo este esperando aprovação.

Deveríamos aproveitar esta data para revisar o que ainda não foi reparado a essa população, mesmo após a assinatura da Lei Áurea e isso deve ser feito a cada 13 de maio que passar. É hora de comprometermos com uma reflexão constante sobre nossas práticas, como muitos antes de nós o fizeram. Vamos construir, e (re) construir o negro e a negra diariamente, questionando o nosso passado e traçando metas para um futuro mais justo.
O estado brasileiro precisa assinar um documento que se tenha igualdade na diferença, respeito à diversidade humana e a promoção do desenvolvimento humano.

A população e em especial o movimento negro com certeza continuarão nas lutas: Pela aprovação dos estatutos de promoção da igualdade racial em todo os estado e em nosso país, pela real aplicação do ensino e da cultura africana nas escolas e nas universidades, pelo o acesso ao trabalho e salários iguais para todos/as, por uma melhor abordagem policial e pelo fim do extermínio da juventude negra, pelo fim do próprio trabalho escravo que ainda existe em todo continente, na luta por um currículo escolar menos eurocêntrico e mais multicultural e multirracial, por melhores livros didáticos e por um ambiente racialmente mais democrático nas escolas.

Façamos dessa data momento de luta, usemos esse dia para ressaltar nossa trajetória de inconformismo. Esse mesmo inconformismo que nos leva a realizar pequenas e grandes revoluções em nosso cotidiano, na interação com nossos familiares, em nossos ambientes de trabalho, em nossa sociedade.
Continuemos a considerar o 20 de novembro como a grande data de celebração no Brasil de uma comunidade étnica - a dos descendentes de África que aqui chegaram escravizados. Data do assassinato de Zumbi, símbolo poderoso para sinalizar as condições de desigualdade em que a maioria dos africanos/as chegou ao Brasil e para atuar como catalisador na luta contra a discriminação racial daí decorrente. Líder do maior e mais duradouro quilombo do Brasil colonial. Zumbi dos Palmares se apresenta hoje como o grande herói da resistência à escravidão, verdadeiro arquétipo da não submissão dos/as escravos/as africanos/as ao cativeiro.

Como descendentes de África. Somos a prole de homens e mulheres dignos arrancados de seus lares e acorrentados em navios como animais. Somos os herdeiros de um grande e explorado continente. Somos os herdeiros de um passado com os maiores crimes aos direitos humanos e maior chacina da humanidade. Não devemos ter vergonha desse passado. Devemos ter vergonha sim, daqueles que se tornaram desumanos a ponto de torturar-nos, roubar nossa cultura e se enriquecerem com o nosso suor.

*Freitas é filho de Osún, membro do fórum de juventude negra da Bahia, educador social, estudante de ciências Sociais pela UFBA e membro do grupo de jovens de religião de matriz africana Oba’byan N’ganga N’dumbe e Filiado ao partido dos Trabalhadores.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

No dia 28 de setembro de 2008, jovens dos terreiros: Casa Branca, Junçara Konderê, Opô Ajá Omim e Vintém de Prata, se reuniram em Areia Branca no Ilê Axé Opô Ajá Omim, para avaliar as reuniões ocorridas anteriormente a lançar novas propostas para o desenvolvimento e efetivação de um grupo maior e coeso, de jovens de candomblé de Salvador e regiões metropolitanas. Algumas propostas lançadas foram: a criação de um blog; um jornal mensal com tiragem inicial de 200 exemplares; e reuniões que ocorreriam individualmente em cada casa para discutir temas relacionados a juventude, como lazer, saúde, educação, trabalho, segurança entre outros.Dessas reuniões surgiriam relatórios com opiniões e propostas dos jovens de cada terreiro, que reunidas, serão discutidas no próximo encontro do dia 25 de outubro de 2008, na Casa Branca.Na certeza de que seremos capazes de fortalecer cada vez mais o combate a intolerância e exigência nossos direitos, desde já agradecemos a colaboração e participação de nossos irmãos e irmãs.Axé.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Água, terra, ar, folha..todos os componentes da natureza...têm o seu axé, sua energia.


Disso, os povos tradicionais sempre souberam. Para nós, que somos de terreiros, crianças, jovens e velhos (que aqui não está sendo utilizado de forma pejorativa, mas sim orgulhosa: Nossos Velhos!), todas essas discussões em torno do tema "meio ambiente" são válidas, mas as executamos diariamente. Por isso, o Obá Byan-Inganga Yndumbe vem mostrar em qual situação se encontram alguns terreiros de Salvador.

Nessas fotos, são vistos ambientes sagrados que estão sendo contaminados e até extintos por conta de interesses outros como, por exemplo, contrução civil, que nesse caso mas, uma vez não visa sanar as desigualades existentes com relação à habitação, mas sim consolidá-las. Visto que são contruídos grandes condomínios em locais muitas vezes sagrados simplesmente por

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


INFORME SOBRE A 2ª JORNADA ECUMÊNICA DA JUVENTUDE DO NORDESTE
05 – 07/12/2008, Igarassú, PE

A 2ª Jornada do Nordeste foi promovida pela REJU - Rede Ecumênica da Juventude pela Promoção dos Direitos Juvenis, um Projeto do FE Brasil, financiado pelo PAE/Cese e apoiada estratégica e financeiramente por Diaconia e KOINONIA.
A jornada teve como tema Juventude Ecumênica: Políticas Públicas, Desafios do Ecumenismo e Direitos e reuniu 100 participantes, de juventudes da Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco, representando igrejas, organizações e movimentos sociais: Igrejas Católica Romana, Metodista, Anglicana, Presbiteriana, Batista, Assembléia de Deus, Candomblé(OBABYAN); MTST, Sindicatos Rurais do Polo e Alagoas, Mojac, Cebi, Quilombolas, entre outros.
Durante a jornada, além da discussão dos temas a partir das ações dos(as) participantes, estas ações, foram avaliadas, tendo como referências as ênfases da REJU no Nordeste para 2008: Educação e Cultura, Saúde, Transportes e Motivação e Ação Política da Juventude.
Entre os encaminhamentos da Jornada Nordeste para REJU NE para 2009 estão:
propostas de sustentabilidade, visibilidade e ação da REJU NE;
formas de multiplicação dos aprendizados nas comunidades;
participação nas próximas jornadas regional e sul-americana;
eleição da nova coordenação da REJU NE
e propostas de ênfases para a o próximo ao no Nordeste

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O negro no Brasil

Os africanos tinham, na África, nações compostas por tribos. Estas tribos se estruturavam em torno de reis e rainhas e se instalavam em aldeias.
Com o tráfico de negros africanos , eles foram espalhados por vários países do mundo , entre os quais , o Brasil. Neste país, viveram em regime de escravidão, resistiram, criaram quilombos, desenvolveram formas de luta, resgataram costumes religiosos, fortaleceram a identidade. Hoje, disputam espaços na política e universidades, além de se organizar a fim de contar sua história, a história dos que sempre foram oprimidos.
Com a busca incessante de Portugal por novas fontes de matérias-primas e mão- de- obra, viu na África um alvo fácil e promissor. Lança-se ao mar e com o auxílio da pólvora invade reinos e conquista pessoas de diversas tribos para serem vendidas, em diversos outros continentes, como mercadoria. Nesse processo da diáspora africana, muitos deles vieram para o Brasil (“terra recém descoberta” e “em construção”). Aqui trabalharam como escravos sem direitos à, moradia digna, sem alimentação, enfim, apenas com a obrigação de produzir para o seu senhor. Entretanto, esses negros escravizados não aceitaram àquela vida subumana de forma pacífica. Incendiaram senzalas, mataram senhores ,fugiram e construíram sociedades alternativas, os quilombos, entre os quais o de mais poder simbólico é o de Palmares, que sobreviveu quase um século, reuniu cerca de trinta mil pessoas e foi local de nascimento do líder negro Zumbi que morreu em 20 de Novembro de 1695.
Como formas de resistência , os negros escravizados desenvolveram a capoeira, que era um misto de dança e luta e se constituía de movimentos de animais, e organizaram espaços de culto aos seus ancestrais (os terreiros), nos quais praticavam as religiões de matrizes africanas, que mesmo após a abolição jurídica, sofreu perseguição por partes das autoridades . O mesmo acontecendo na capoeira, que se chamava capoeiragem ou vadiagem , só sendo liberada a partir de Getúlio Vargas em 1941.
Em 13 de Maio de 1888 foi assinada pela princesa Isabel a lei Áurea que libertava os escravos definitivamente. No entanto ,atualmente existe uma negação daquela data como algo a se comemorar, devido às condições às quais os negros foram submetidos, por exemplo, à carência de moradia digna ,educação , emprego, entre outros fatores.
Outra causa desta resistência, é o fato de o Brasil ter trazidos imigrantes pra trabalhar em suas terras, porém em outras condições. Para o movimento negro brasileiro , que não se resume a uma sigla , a data de comemoração real é o 20 de Novembro, a qual o remete ou líder negro Zumbi dos Palmares, símbolo de resistência contra a opressão .Esta data ficou conhecida como o dia “Nacional da Consciência Negra”.
Nos dias atuais, é visível a grande desigualdade na sociedade brasileira. Essa desigualdade, não é divina ou coisa parecida, é histórica. Hoje, vê-se nas filas dos hospitais, nas ruas, em trabalhos subalternos, nas prisões, grande maioria da comunidade negra. No entanto, numa cidade como Salvador, que é uma das que mais tem negros fora da África, o quadro é diferente. Nesta, no momento em que cogita sobre cotas para negros nas universidades, percebe-se um grande incômodo por parte de uma elite que sempre esteve nos espaços privilegiados. Uma elite que falsamente reconhece essa dívida, mas que não está disposta a ceder espaço.
As cotas não são um favor do governo à população negra, elas fazem parte de um conjunto de ações afirmativas que tem o objetivo de diminuir o abismo existente nas duas Salvador e nos diversos Brasis.


No entanto, as pessoas negras não vivem somente numa situação de miséria. Há muitas delas na política, na música, no esporte, e assim sucessivamente. Ocupando esses cargos e servindo de espelho para outros que estão na base da pirâmide social, e muitas vezes, elevando a auto-estima dos mesmos.
“Se Palmares não vive mais, faremos Palmares de novo!” (José Carlos Limeira)

Por Uilians Souza